Nos olhos de uma mulher existe uma nascente aberta e larga
Existe uma laje liquidificada,um topázio opalino, uma verde esmeralda.
Existe o Agosto da comemoração, da festividade,e das noites de luar, na claridade da lua cheia.
E em contestação, o Janeiro rigoroso,de mil chuvas, caudaloso, de cavado aluvião …
Nos olhos de uma mulher existem indecifráveis jardins,canteiros redondos e os cheiros dos singelos jasmins.
E existem pássaros livres em grades sem poder voar...
E existem plantadas searas de centeio e de cevada sem quem as venha amanhar …
E uma vontade implacável de ser caminho,vereda, atalho e estrada…
Nos olhos de uma mulher existe o ontem, o hoje e o amanhã, o nascente e o poente, o tudo e o quase nada.
Nos olhos de uma mulher existe o planalto e o abissal abismo...
Existe o mar e nele acolhido o verde jade a fulgir...
Existe a indómita intenção de ser mais que obscuridade...
Ser planeta ou simplesmente um cometa...
Ser rouxinol, girassol, ser altar de devoção e a cada fim de tarde, santuário de oração,no enleio do anoitecer…
Que quando o amor se fundeia, agrilhoado a bom porto, neles se pascenteiam ébrios cheiros de Setembro e nos lagares de vinho mosto.
E dos campos, os odores do rosmaninho e alecrim…E da floresta, a força de milhões de cheiros e perfumes a despontar, a renascer...
Nos olhos de uma mulher existe, por fim, um poema por escrever...

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