Quando a voz em mim se cala...há no meu olhar uma prece
Que murmuro em silêncio...que solto á noite e grito à vida
Quando no meu frio corpo...tristemente a saudade anoitece
Choro por mim...choro-me de tão vazio...tão só e perdido.
Aproxima-se a noite...solto os meus medos...afago a solidão
Tateio o meu rosto na madrugada...procuro-me nos poentes
Minuto a minuto...amortalho a vida no desvanecer da ilusão
Sepulto as pétalas que escorrem dos meus braços dormentes.
Fui acomulando pedras no caminho...fui polindo as mágoas
Esculpindo silêncios na noite...sarando as feridas dia a dia
Procurando-me no tempo...bebi em segredo todas as lágrimas
Arrastei-me nas margens do abismo...de corpo e alma vazia
Guardo a mágoa no peito...os desenganos nos sonhos perdidos
Prendo o vazio nas mãos...as tempestades no corpo dormente
Caminho à deriva...voo sem rumo por entre ecos adormecidos
Sou o resto dum destino incerto...dum futuro de mim ausente.
No grito de todos os silêncios...em tristes versos me escrevo
A preto e branco me desnudo...me entrego de corpo e alma
Num cálice de solidão...me derramo em poesia...me bebo
Perdido e sem rumo...vagueio na escuridão da noite calma.
No meu corpo jaz um poema...um eterno poema de amor
Vestido de solidão...amortalhado e enterrado no meu peito
Entre a sombra e o silêncio...canto neste verso a minha dor
Escrevo o que de mim restou...canto a noite onde me deito...

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